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Franquias em Natal expandem seus negócios

02/03/2010 - 12:01

Empresa brasileira com maior número de franquias, a rede de cosméticos e perfumaria O Boticário foi fundada em 1977, no Paraná, e em 2007 somava 2.492 unidades em todo o país. A empresa chegou a Natal em 1982 e até o final de 2010 deverá somar 20 lojas no Rio Grande do Norte, de acordo com o diretor da franquia na Grande Natal, Glauber Gentil.

O diretor revela que a expansão tem ocorrido não apenas aqui no estado e o grupo adquiriu a reserva de mercado da Grande São Luis, no estado do Maranhão, em 2006. “O alinhamento com o franqueador fez com que nós pudéssemos ampliar nossas atividades a partir de outra praça, mas com a mesma empresa. Lá, também pretendemos ter 20 lojas até o final do ano e, certamente, este grupo unido está entre os 10 maiores clientes da fábrica no Brasil”, avalia Glauber Gentil.

Atuando em outro segmento no qual as franquias estão conseguindo ótimo desempenho no país, a rede americana de sanduíches Subway abriu a sua primeira unidade em Natal no ano de 2005. O franqueado da marca, Tales Rosado, se anima com a boa aceitação do produto na capital e planeja chegar a um total de cinco lojas no estado ainda este ano. “Hoje, temos uma loja no Midway e outra em Petrópolis, estou estudando mais dois pontos em Natal e um em Mossoró”, revela.

Rosado diz que a opção por abrir uma franquia se deu, principalmente, pelo fácil acesso ao know-how da empresa e pela marca já ser forte em diversos países. “Conhecia o produto bem antes de decidir abrir o negócio e imaginava que seria bem aceita, pela força que a marca possui”, conta o franqueado.

Bem menos conhecida do que as duas empresas anteriores, a recém-chegada a Natal Safe Clean oferece serviços de limpeza para tapetes, carpetes e estofados, impermeabilização e higienização de tecidos, além de tratamento para couros. O franqueado, Win Van Veen, destaca que esta é a primeira franquia do segmento a se instalar no Brasil. “Investi uma faixa de R$ 70 mil e espero ter um retorno em um período entre 3 e 5 anos”, diz.

De acordo com Win, a escolha por investir no mercado de Natal ocorreu pela cidade estar em pleno crescimento, com possibilidades futuras de profissionalização. “Estudei o mercado da cidade por seis meses e optei pela franquia por já ser uma receita pronta para começar a trabalhar, com apoio 24 horas, tecnologia de última geração, conhecimento de mercado, programação de gestão e seguindo um padrão só”.

Bancos têm linhas especiais para abertura das franquias

As vantagens de investir em uma franquia, de acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo, são inúmeras. Ele aponta como principais, a baixa taxa de mortalidade das empresas, a possibilidade de ganho de maturação em pouco tempo e o acesso à linhas de financiamento com juros baixos junto aos bancos.

De acordo com Camargo, na região Nordeste, a principal instituição a disponibilizar uma linha de crédito exclusiva para investimentos ligados ao setor de franquias é o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), cuja projeção de volume a ser financiado durante este ano pra investidores do setor chega aos R$ 100 milhões.

O gerente do ambiente para micro e pequena empresa do BNB, Lauro Ramos, informa que durante o ano passado, somente para a abertura de franquias de uma única empresa, o banco negociou créditos no valor de R$ 15 milhões. Segundo Ramos, a atual dinâmica da economia do país fez com quem o Nordeste passasse a ser o destino de grandes redes de franquia que atuam no país, ao mesmo tempo em que permitiu a empresas da região se tornarem franqueadoras. “Vemos o fortalecimento do consumo das classes baixas e isso tem sido muito bom para a economia do país, bem como do Nordeste”, avalia.

Ramos diz as linhas do BNB voltadas exclusivamente para as franquias possuem diferenciais, como a possibilidade de financiar até 100% do seu orçamento para as empresas com faturamento de até R$ 2,4 milhões e um bônus de adimplência de 25% nos juros para aquelas localizadas em municípios do semiárido, caso não haja atraso no pagamento das parcelas do financiamento. “Enquanto algumas empresas cobram juros de 11% ao ano, temos linhas em que essa taxa é de 5,06%”.

Para dar segurança ao investidor, o banco possui um cadastro com franqueadoras avaliadas e divididas por segmento. “Isso acelera bastante o processo, por não haver a necessidade da apresentação de projetos individuais a cada novo pedido”.

Franqueadores nem sempre têm bons resultados

Algumas empresas potiguares apostam no modelo de franquias para expandir suas atividades e chegar a diferentes cidades brasileiras, mas os resultados nem sempre são semelhantes. Bons exemplos dessa tendência são a farmácia de manipulação Farmafórmula, a lanchonete Pittsburg, e a confecção Botton.

A Farmafórmula deu início ao sistema de franquias no ano de  1996, com uma loja em Fortaleza, capital do Ceará, e atualmente possui um total de 50 farmácias, distribuídas nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do país. “A franquia dá direito a usar a marca e ter todo o serviço de apoio, desde a implantação à atuação no dia a dia. Na estrutura de uma nova unidade, o franqueado investe entre R$ 90 mil e R$ 180 mil”, revela o diretor de franquia da empresa, Marcel Ribeiro Dantas.

De acordo com Marcel, o  faturamento médio de uma franquia modelo da farmácia fica em torno de R$ 30 mil por mês. “Posso dizer que temos lojas cujo faturamento é bem maior e a diferença nesse volume ocorre por variáveis, como o esforço do franqueado e o mercado onde a loja está inserida”, afirma.

Atuando há apenas três anos como franqueadora, a lanchonete Pittsburg já conta com 11 lojas, nas cidades de Natal, Mossoró e Campina Grande. “Com as franquias, conseguimos incrementar nosso faturamento em 18%, no ano de 2008, elevando esse número para 25% no ano seguinte e  pretendemos ultrapassar os 32% em 2010, para consolidarmos de vez como a marca mais lembrada no segmento”, diz o gerente de marketing do Pittsburg, Gustavo Maia.

Mas nem só de boas notícias vive o setor e a Botton tem passado uma experiência diferente das demais. A empresa, que hoje tem 18 anos, promove um processo de extinção de suas franquias, estimulando aquelas que existem atualmente a se transformar em multimarcas. “Agora estamos nos concentrando na expansão via lojas multimarcas. Através da fábrica, que fica em Parnamirim, atendemos a mais de 200 clientes do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, principalmente de pequenos municípios. Hoje, ainda temos 20 franquias e pretendemos, com o tempo, manter as lojas Botton apenas em Natal”, explica o diretor da empresa, Glauber Gentil.

O empresário conta que a opção por mudar a forma de expansão da empresa se deu pela grande concorrência que há no segmento, o que terminou por inviabilizar algumas novas franquias da marca. “A concorrência na moda é muito acirrada. Quem vai comprar uma camisa no Midway, tem mais de 100 opções de loja para pesquisar”, declara Gentil.



Fonte: jornal Tribuna do Norte

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