Ricardo Abreu
Ricardo Abreu é o entrevistado desta semana. Empresário do setor imobiliário e Presidente há quase 3 anos da CDL Natal, Ricardo contou para o site o desafio de comandar a maior CDL do Estado e os principais projetos da para nova gestão.
1 – Fale um pouco de seu início como empresário e na CDL Natal.
Na Abreu Imóveis
Ainda estudante, comecei a ajudar meu pai na Abreu Imóveis, que até então, só lidava com venda de loteamentos. Ingressei no curso de economia da UFRN, o que fez aumentar meu interesse pelo negócio e em 1982 assumi a direção da empresa, implantando as áreas de locação e administração de imóveis. Foi uma decisão acertada, sob o ponto de vista mercadológico, e significou a consolidação da Abreu Imóveis como a maior administradora de imóveis do Rio Grande do Norte até hoje.
Na CDL Natal
Convidado em 1993, na gestão de Macantoni Gadelha, a participar do então Clube de Dirigente Lojistas, para integrar a diretoria com a criação do Serviço de Proteção Imobiliária (SPI) - voltado à atividade que já exercia na sua empresa, Abreu Imóveis -, prontamente me disponibilizei a atender as necessidades da época. Continuei na entidade, integrado às diretorias que se renovavam, assumindo outros cargos como diretor financeiro, até chegar à 2° vice-presidente durante a 1ª gestão de Orismar Almeida em 2001.
Fui indicado para sucessão de Orismar em 2005, como uma promessa de renovação dentro da entidade. Candidato em chapa formada em consenso e eleito por aclamação em agosto do mesmo ano, encerrando minha primeira gestão em agosto de 2007, ocasião onde fui reconduzido em assembléia junto com George Ramalho como 1º vice-presidente e Reginaldo Teófilo Júnior como 2º vice-presidente, para atuar no biênio entre setembro/2007 e agosto/2009.
2 - O mercado imobiliário do RN vem passando por um boom em quase todo o Estado. Você, como empresário do ramo imobiliário, a que atribui essa evolução?
Por muito tempo o mercado imobiliário ficou sem oferecer financiamentos de longo prazo para a compra de imóveis, mas com a estabilidade financeira que o país vêm tendo, através de baixas taxas de juros, o mercado redescobriu esses financiamentos, com taxas competitivas. Essa nova situação trouxe para o mercado pessoas que antes não tinham condições, porque os financiamentos eram de curto prazo. Isso fez com que despertasse um novo conceito de venda por parte das incorporadoras e instituições de crédito, com compradores pagando pouco até a entrega das chaves, facilitando o acesso a esses financiamentos. O aumento da quantidade de pessoas que podem comprar seu próprio imóvel fez crescer a oferta em Natal, que está sendo oferecendo muitos imóveis para contemplar a demanda de 1ª residência.
Já para imóveis de 2ª residência, os fatores proximidade com a Europa, clima e cultura local fez com que os investidores estrangeiros enxergassem em Natal um bom lugar para investir em negócios e lazer.
3 – O Rio Grande do Norte tem condições de receber essa demanda imobiliária?
O mercado imobiliário do Rio Grande do Norte ainda não chegou a atingir 20% do seu potencial. Temos um déficit habitacional enorme e falta de produtos com novas tecnologias e conceitos de qualidade de vida, ambientalmente corretos e integrados com lazer. Isso está chegando agora, através de construtoras locais e grandes empresas nacionais que estão enxergando e completando o que falta no mercado.
4 – Em sua opinião, qual a maior dificuldade que enfrenta a economia de Natal?
Uma política mais séria de investimento na infra-estrutura da cidade, e falta de acesso a melhores condições financeiras para que as empresas locais possam competir com as nacionais que vem ao nosso Estado.
5 – Falando sobre o comércio, o Estado do RN foi o que mais cresceu em todo o país no mês de fevereiro. A que você atribui esse crescimento e como Natal vêm se desenvolvendo diante desse cenário?
A queda de juros fez com que a economia disparasse em diversos setores, principalmente eletro eletrônicos, além da vinda de grandes cadeias de supermercados aumentando na cidade. Houve grande oferta de produtos, o que fez com que os natalenses, que tem um poder de compra um pouco acima da média do Nordeste, fosse às compras.
6 – Qual o maior desafio de presidir a maior CDL do Estado?
Saber captar as necessidades do comerciante local, de bairro, de shopping, e colocar pra eles a necessidade de mudança que vem acontecendo no Brasil. O comércio local só se preocupa com o dia-a-dia, com o presente, e não com o futuro. E o futuro chega cada vez mais rápido, fazendo com que alguns comerciantes se sintam atropelados. Para isso, promovemos encontros e eventos com freqüência para mostrar a importância dessas mudanças, mas que por falta de planejamento, alguns comerciantes não participam e ficam sem essa visão do que pode acontecer num curto espaço de tempo.
7 – O que ainda pretende realizar a frente da CDL Natal até o final do seu mandato?
Desde que assumi a presidência, minha intenção é dar à CDL Natal uma visão de entidade com a finalidade de fazer com que a função maior dela seja fortalecer seus associados. Se eu chegar ao final do mandato e deixar essa semente na casa – de que ela é feita para prestar serviço ao associado – já estarei satisfeito.
8 – Sobre a Universidade do Varejo. Como anda esse projeto?
Inicialmente o nome do projeto é Universidade Livre do Varejo, que objetiva a melhor capacitação para os profissionais que atuam no varejo, oferecendo cursos de extensão até pós-graduação, através de convênio firmado com universidades da capital. Estamos na fase de definição dos cursos que deveremos oferecer e elaborando o calendário para os mesmos.
9 – Que outros projetos você destacaria como prioritários para a CDL Natal?
Destaco o projeto Tendências, que já iniciamos com o workshop de Edmour Saiani, onde será realizado com freqüência palestras, workshops, seminários e cursos no auditório da CDL Natal, com temas específicos do varejo. A idéia informar, discutir e avaliar as diversas tendências, não só mundiais, como nacionais e regionais ligadas diretamente ao setor, sempre focando o desenvolvimento do comerciante e prestador de serviço local. Também estamos preparando a memória da CDL Natal, resgatando a história não só da entidade, mas também do comércio natalense nesses últimos 47 anos.
10 – Sobre a Convenção Estadual Lojista, que este ano acontecerá em Mossoró, você como presidente da CDL Natal já foi anfitrião de uma estadual e uma nacional. Qual a importância desse evento para a classe lojista?
É uma oportunidade de reciclagem para os lojistas, que assistem palestrantes de nível nacional, com conhecimento internacional também. Aprender, discutir e conhecer novas ferramentas é muito importante, principalmente tendo um custo muito bom, porque nessas convenções, as CDL's conseguem patrocínios para baratear as inscrições e tornar acessível a participação de todos.
11 – E a cidade que recebe a Convenção? Ganha de que forma?
O turismo é a fonte de receita mais democrática da economia de uma cidade. Turismo e comércio caminham de mãos dadas. A cidade além de ter seus associados reciclados, ganha porque fomenta o turismo e traz pessoas que não conheciam o lugar, e que, se gostarem, voltam a freqüentar e falam bem para outras pessoas, gerando um fluxo contínuo de visitas.
12 – A CDL Natal por mais um ano promoverá a Liquida Natal. A campanha tem atingido os resultados esperados? O que tem de programado para 2008?
A cada ano a Liquida Natal cresce entre 10% e 20% na cidade. É uma campanha inteligente, que beneficia a todos – os lojistas aumentam suas rendas num período geralmente de baixo movimento no comércio, o Estado aumenta sua arrecadação através de impostos, e a sociedade ganha com preços realmente baixos, além de concorrer a prêmios.
Para 2008 temos algumas novidades que estão sendo estudadas, tanto na parte de capacitação dos vendedores quanto na premiação.
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